4 Coisas que você não sabia sobre pessoas de Letras
27 FEVEREIRO 2014 – escrito por: português é legal
1.
Acordar transformados em “professor Pasquale” não é exatamente nosso sonho
Pouca
gente sabe, mas por muitos anos o professor Pasquale teve uma “abordagem” no
ensino da gramática que não era muito bem vista em alguns cursos de Letras, por
destoar de visões mais recentes sobre o estudo de línguas. Ele e seus
seguidores costumavam passar a ideia de que só existe uma maneira certa de
falar, o que costuma gerar uma visão preconceituosa sobre os falantes. Com os
avanços dos estudos na área de Linguística, a visão sobre língua e seu ensino
foi ficando distante da ideia de que só existe uma gramática aceita. Por isso,
apesar de sermos colegas de área, ele não é nosso maior ídolo.
2. Adoramos ganhar livros de presente, mas…
Costumamos
ser mais seletivos que a média. Por isso, mesmo que haja no momento um
título-sucesso-de-vendas-traduzido-para-74-idiomas, convém pensar duas vezes
antes de comprá-lo para alguém da área de Letras. Em geral, quanto mais uma
pessoa lê, mais “chata” ela fica com seus hábitos de leitura. Isso não quer
dizer que ela não goste de best-sellers, nem que só leia clássicos, mas pode
significar que ela já tem critérios mais específicos acerca do tipo de livro
que gosta de ler. Por isso, tente saber quais são os autores, temas e/ou
estilos favoritos do seu presenteado.
3. Não ficamos procurando erros gramaticais quando os outros falam
Ninguém
precisa se sentir inibido ou com medo de “cometer erros” perto de alguém
formado em Letras. Ao contrário do que muita gente pensa, os primeiros anos de
estudos na área costumam tornar os alunos mais tolerantes com as várias formas
de falar e mais interessados em compreender esses falares. Não somos fiscais da
gramática! Quem entra na graduação esperando passar 4 ou 5 anos estudando
gramática loucamente pode levar um susto ao conhecer o currículo do curso.
Portanto, pessoas de outras áreas: libertem-se. Não vamos reparar no modo como
vocês falam e muito menos corrigir vocês em situações constrangedoras. Essa nova postura foi, para nós, influência dos estudos de Linguística. A
Linguística está para a Letras assim como o brigadeiro está para uma festa de
aniversário de criança: se não tiver, vai fazer falta.
4. Ser professor não é nossa única opção
Mas
é uma ótima opção. O primeiro passo para valorizar a profissão do professor não
é aumentar seu salário, mas sim reconhecer o papel fundamental que ele tem. Por
isso, a próxima vez que o caçula da família anunciar que quer estudar Letras,
evite comentários como “Mas você é tão inteligente!”, “Mas sua nota daria pra
fazer Medicina!”, “Mas você vai ser professor?”. Em vez disso, sugerimos
algumas opções: “Que sorte dos alunos que terão você como professor!”, “Que bom
pra educação do país!”. Isso tudo é verdade, mas também é verdade que quem faz
Letras não é obrigado a ser professor. Pode ser tradutor, revisor, editor,
escritor, consultor, redator, intérprete, repórter, empresário, pode trabalhar
em banco, no comércio, em áreas administrativas, etc. Tão importante quanto
clamar que os professores precisam ter boa formação é respeitar e incentivar
quem escolhe esse caminho.
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